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sábado, 13 de novembro de 2010

A Bailarina do Mar

(Anna Luisa)
Eu vou te contar
O segredo da bailarina que veio do mar
Ela é filha protegida de iemanjá
É sereia prisioneira do rabo de peixe
Que em noite de lua, vira pássaro e foge do mar
Eu vou te contar
O segredo da bailarina que veio do mar
Ela é filha protegida de iemanjá
É sereia prisioneira do rabo de peixe
Que em noite de lua, vira pássaro e foge do mar
Ela só dança sobre pétalas de rosas brancas
Banhadas nas águas do sal
O seu vestido vai florido até lá no pé
E esconde o doce mistério do "pássaro-peixe" que vira mulher
Eu vou te contar
O segredo da bailarina que veio do mar
Ela é filha protegida de iemanjá
É sereia prisioneira do rabo de peixe
Que em noite de lua, vira pássaro e foge do mar
Desfila prosa
Que só quem é filha de rainha
Acima do bem e do mal
E vai gingando rodeada de sete tambores, sete vidas, sete cores
E a dama faz um carnaval
Eu vou te contar
O segredo da bailarina que veio do mar
Ela é filha protegida de Iemanjá
É sereia prisioneira do rabo de peixe
Que em noite de lua, vira pássaro e foge do mar
E quando canta, o seu canto é de partida
Pros braços da mãe adorada
Numa girada, feito coisa de feitiço
Bailarina vira flor e o menino devolve pras ondas do mar
Eu vou te contar
O segredo da bailarina que veio do mar
Ela é filha protegida de Iemanjá
É sereia prisioneira do rabo de peixe
Que em noite de lua, vira pássaro e foge do mar
Eu vou te contar
O segredo da bailarina que veio do mar
Ela é filha protegida de Iemanjá
É sereia prisioneira do rabo de peixe
Que em noite de lua, vira pássaro e foge do mar

A Bailarina

(Toquinho)

Um, dois, três e quatro,
Dobro a perna e dou um salto,
Viro e me viro ao revés
e se eu caio conto até dez.

Depois, essa lenga-lenga
Toda recomeça.
Puxa vida, ora essa!
Vivo na ponta dos pés.

Quando sou criança
Viro orgulho da família:
Giro em meia ponta
Sobre minha sapatilha.

Quando sou brinquedo
Me dão corda sem parar.
Se a corda não acaba
Eu não paro de dançar.

Sem querer esnobar
Sei bem fazer um grand écart.
E pra um bom salto acontecer
Me abaixo num demi plié.

Sinto de repente
Uma sensação de orgulho
Se ao contrário de um mergulho
Pulo no ar num gran jeté.

Quando estou num palco
Entre luzes a brilhar,
Eu me sinto um pássaro
A voar, voar, voar.

Toda bailarina pela vida vai levar
Sua doce sina de dançar, dançar, dançar...

Ciranda da Bailarina

(Chico Buarque)

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem

E não tem coceira
Verruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem

Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem

Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem

Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem

Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem...

A Bailarina

(Cecília Meireles)

Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.


Não conhece nem dó nem ré

mas sabe ficar na ponta do pé.


Não conhece nem mi nem fá

Mas inclina o corpo para cá e para lá.


Não conhece nem lá nem si,

mas fecha os olhos e sorri.


Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar

e não fica tonta nem sai do lugar.


Põe no cabelo uma estrela e um véu

e diz que caiu do céu.


Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.


Mas depois esquece todas as danças,

e também quer dormir como as outras crianças.

A Bailarina E O Soldado De Chumbo

(Teatro Magico)

De repente toda mágica se acabou
E na nossa casinha apertada
Tá faltando graça e tá sobrando espaço
To sobrando num sobrado sem ventilador

Vai dizer que nossas preces não alcançaram o céu?
Coração, que ainda vem me perguntar o que aconteceu
Conta se seu rosto por acaso ainda tem o gosto meu

Com duas conchas nas mãos,
Vem vestida de ouro e poeira
Falando de um jeito maneira
Da lua, da estrela e de um certo mal

Que agora acompanha teu dia
E pra minha poesia é o ponto final
É o ponto em que recomeço,
Recanto e despeço da magia que balança o mundo

Bailarina, soldado de chumbo
Bailarina, soldado de chumbo
Beijo e dor...
Bailarina, soldado de chumbo

Nossa casinha pequena
Parece vazia sem o teu balé
Sem teu café requentado
Soldado de chumbo não fica de pé

Nossa casinha vazia
Parece pequena sem o teu balé
Sem teu café requentado
Soldado de chumbo não fica de pé

Oração da Bailarina


Senhor,
 Na barra nossa de cada dia permiti que eu consiga lembrar-me da seqüência correta dos exercícios, que eu consiga algum dia esticar o joelho o suficiente, que eu consiga controlar a tremedeira no attitude devant, que eu tenha os braços e saltos tão leves que a platéia pense que dançar é a coisa mais fácil do mundo,  que eu mantenha sempre uma postura de rainha com olhares infinitos e pescoço de girafa.

Dai-me Senhor uma memória de elefante para saber a coreografia que foi mudada ontem, força hercúlea nos pés para conseguir subir na ponta, pernas de jogador de futebol, improvisação de atriz, eixo de peão para girar e equilíbrio para ficar imóvel em uma perna só para sempre.

Que eu tenha Senhor, dinheiro para pagar as meias que puxam o fio, as sapatilhas que furam e as roupas de apresentação que somente serão usadas uma ou duas vezes.

Ajudai-nos com linóleos perfeitos, coxias grandes, e no final de meses de ensaio prestigiai-nos Senhor com pelo menos um público para aplaudir-nos…

Amém.